Prisioneiros de um dilema
Caminho para o mar - Praia de Grussaí, Litoral do Município de São João da Barra-RJ (Foto: Quésia F.)
“E quando tinham caminhado um pouco juntos, Zaratustra começou a falar assim:
Isso me dilacera o coração. Melhor do que o dizem tuas palavras, diz-me teu olho todo o perigo que corres. (...) Às livres alturas queres ir, de estrelas tem sede tua alma. Mas também teus maus impulsos têm sede de liberdade. (...) Ainda és para mim um prisioneiro, que pensa na liberdade: ai, prudente se torna em tais prisioneiros a alma, mas também ardilosa e má (...)”.
In: Assim falava Zaratustra, Nietzsche
E muitos se perdem pelo meio do caminho. Tão longe se quer ir e caem de cansaço na primeira pedra que vêem pela frente. Depois se acostumam tanto com a idéia que nem se percebem mais; não se perguntam mais onde estão. Não foi fácil para nenhum deles chegar até aqui. Estão se questionando se valeu a pena todo o esforço, já que abriram mão de tanta coisa. Uma vida calma e tranqüila com geladeira de duas portas – com stellas e devassas!, emprego fixo de 8 horas/dia, carros e motos na garagem, Tv com 98 canais você é quem decide a programação, churrasqueira elétrica George Foreman Grill™ Familia, casinha com cerquinha branca e jardim, cachorros na varanda e criança chorando na piscina. Alguns pensaram em voltar. E voltaram. Alguns dos que ficaram estão sofrendo a angústia de não saberem o que há no fim da caminhada. Houve aqueles, ainda, que sequer se levantaram do sofá e não lamentam nada. Mas ainda há muitas dúvidas pela cidade: tanto no ponto de partida quanto no ponto chegada... E aqueles que alcançaram o lugar de destino se perguntam: que fazemos, então? Ninguém se pronunciou até agora...
