sábado, março 15, 2008

Insensatez (2 em 1)

Um dia que começou assim - Nascer do sol na Lagoa Feia, margem do Distrito de Ponta Grossa dos Fidalgos, Campos-RJ (Foto Quésia F.)

- Fale um pouco mais alto que eu não estou te ouvindo. Você se afogou em um lago. – Tente falar mais pausadamente, não se apresse. Em um lugar onde costumava se esconder quando sentia medo e sentia que estava só. - Talvez se você fizesse um desenho. Não agüentou tanta pressão que o assombrava. - Escrevesse uma poesia. E fazia dar aquele nó na garganta. - Se esforce mais! E a cabeça se tornando cada vez mais pesada. - Você consegue! Foi muito doloroso sentir seu fôlego indo embora? - Tente parar, respirar fundo. Recomece do começo de novo. Como foi sentir que sua respiração não te respondia? - Não se deixe acometer-se pela fraqueza! Aquele aperto no peito te fez só pensar em deitar e encolher-se todo como se estivesse de volta ao útero? - Não diga que não há mais nada a ser feito... Você conseguiria descrever, em poucas palavras, aquele sentimento de sua lucidez te abandonando? - Levante, vamos, fique de pé e saia dessa, de cabeça erguida. Diante do desespero você perdia sua humanidade. - Você é capaz! Enquanto tudo isso acontecia não vi você chorar uma lágrima sequer. - Ninguém gosta de sentir-se só. Você gosta? O lago, a água, tudo era tão maior que você. – Não se martirize, apenas dê o máximo de si. Sem dor, não há ganho. Ninguém te pediu para parar, pediu? - No final sempre dá tudo certo, você vai ver! Pensou que seria o fim, que encontraria a paz? - Quando estiver de saída, não se esqueça de trancar a porta e apagar a luz.